domingo, 20 de outubro de 2013

SOU FILHO DE DEUS






1 - Nascemos todos para ser filhos de Deus. Esta “altíssima”, “sublime”, “divina” vocação (cf. GS 3.13), pela qual “Deus chamou o homem para que ele, com sua natureza inteira, una-se a Deus na comunhão perpetua da incorruptível vida divina” (GS 18) “como filho”, participando da sua própria felicidade (cd GS 21), é algo que “marca” a natureza do homem. Com efeito, Deus Criador, ao tomar o barro da terra, não quis “modelar” uma simples criatura, mas um filho, feito à sua imagem e semelhança. Quis e realizou e a esta criatura-filho, formada do barro da terra, Deus deu o nome de Adão, isto é, homem (cf. Gen 1,26; 2,7; 5,1-2). Como ele seriam todos os seus descendentes (cf. Gen 1,27 ss; Sl 8; Ecl 17, 1-11). Segundo os planos de Deus, de seu infinito amor, todos os descendentes de Adão seriam constituídos filhos de Deus em virtude da natureza recebida dele, elevada, como é óbvio, a instrumento de tamanha capacidade não por uma qualidade natural, mas por uma disposição de essencial transcendência do amor de Deus.

2 - Segundo este contexto original da Criação, esclarecido pela luz da fé, o ser homem identifica-se com o ser filho de Deus. Esta é a real definição do homem, pois corresponde a quanto Deus “pensou” ao modelá-lo segundo o seu protótipo, o Filho Unigênito, o Verbo de Deus, na sua encarnação no seio da Virgem Maria, mistério que haveria de se realizar no fim dos tempos: JESUS CRISTO. “Adão, o primeiro homem, era figura daquele que haveria de vir, isto é, do Cristo Senhor”, assim ensina a Igreja (GS 22).

3 - O homem, porem, perdeu esta sua identidade, não aceitando esta sua “definição”; quis ser mais do que filho de Deus: por este pecado, cometido já no inicio de sua história, ele “destruiu a devida ordem em relação” a Deus como seu princípio e fim e “ao mesmo tempo, toda a harmonia consigo mesmo, com os outros homens e as coisas criadas” (GS 13; cf. Gn 3,1-19)

4 - Transtornou-se completamente. “Está dividido em si mesmo”. Agora “toda a vida humana individual e coletiva, apresenta-se como uma luta dramática entre o bem e o mal, entre luz e as trevas”. “Bem mais ainda, o homem se encontra incapaz, por si mesmo, de debelar eficazmente os ataques do mal; e assim cada um se sente como que carregado de cadeias” (GS13)


5 - Define-se de mil modos, e com isso só vai acrescentando fracassos sobre fracassos, frustrando seus mais legítimos anseios de imortalidade de paz, de verdade e de amor. Não aceita sua verdadeira definição. Não a reconhece por legitima mas a tem conta de alucinante ou alienante, quando a fé, pela Igreja, lha propõe como insubstituível, “fonte” única e fecunda de toda a felicidade. Sem dúvida alguma, seus incessantes e ingentes esforços pela sua sobrevivência e desenvolvimento levam-no à visão clara de seus inalienáveis direitos e correspondentes deveres, mas não lhe bastam. Esclarecem-lhe a inteligência mas não lhe movem a vontade! (cf. GS 10).

6 - Se o pecado de Adão, atingindo a natureza humana, fez com que todos os homens nasçam em “estado de pecado” (cf. GS 13), a saber, destituídos da “realidade” de filhos de Deus, não, porém, os despojou da “vocação” para filhos de Deus. Deus, no seu infinito amor, continuou fiel a si mesmo: “Já desde sua origem o homem é convidado para o dialogo com Deus. Pois o homem, se existe, é somente porque Deus o criou e isto por amor. Por amor é sempre conservado. E não vive plenamente segundo a verdade, a não ser que se reconheça livremente aquele amor e se entregue no seu Criador” (GS 19).

7 - Apesar de nascermos todos em “estado de pecado”, a nossa natureza está marcada pela vocação transcendente para filho de Deus, pois foi nesta “realidade” que Deus “pensou” e criou o homem: nos eternos desígnios de Deus a “realidade” do homem é a de filho de Deus: é por esta transcendente relação de filho de Deus que o homem deve definir-se: esta é a sua única e verdadeira identidade: Nascemos “fora” dessa realidade, mas estamos “marcados” indelevelmente pela vocação para ela. Ela assinala o valor dos valores humanos, dá ao homem a medida exata de todas as suas dimensões: “A razão principal da dignidade humana consiste na vocação do homem para a comunhão com Deus” (GS 19) “como filho” (GS 21).

8 -A felicidade do homem está em responder a essa “altíssima” vocação, realizando-se como filho de Deus, o que equivale a tornar-se homem, como Deus o fez. Sua desgraça, em rejeitá-la! 

         9 -Debalde tentará construir sua felicidade sobre outras bases, firmando-se em outras definições de si mesmo. Enganam-no os que lhe sugerem outro contexto da realidade humana, para a sua libertação, defesa de seus direitos, promoção de sua cultura, da ordem social, política, até mesmo religiosa, excluindo ou ignorando sua definição de filho de Deus.
    
    10- Por estrita consequência de fé, solidamente firmada na Palavra de Deus, como no-la transmite a Igreja no seu mais recente ato do seu magistério infalível, o Concílio Ecumênico do Vaticano II (cf GS nn 1-45), é em CRISTO  e só NELE que o homem de hoje, como o de todos os tempos, encontrará resposta plena a todos os seus problemas humanos, a todos os seus mais legítimos anseios.

    11 - Ele é o Filho Unigênito de Deus, feito homem no seio da Virgem Maria, o ÚNICO que pode “refazer” o homem, restituir-lhe a identidade perdida, fazendo-o “nascer de novo”, tornando-o filho de Deus (cf. Jo 1,12; 3,1-21). 

      12 - CRISTO, ensina o Concílio, “manifesta plenamente o homem ao próprio homem e lhe descobre a sua altíssima vocação” (GS 22). “Imagem de Deus invisível, Ele é o homem perfeito, que restituiu aos filhos de Adão a semelhança divina deformada desde o primeiro pecado”(GS 22).  Veio para libertar e confortar o homem, renovando-o interiormente. Expulsou o ‘príncipe deste mundo’ (Jo 12,31), retinha o homem na escravidão do pecado” (GS 13). “Deus chamou e chama o homem para que ele, com sua natureza inteira, una-se a Deus na comunhão perpétua da incorruptível vida divina. CRISTO conseguiu esta vitória por sua morte, libertando o homem da morte e ressuscitando para a vida”(GS 18). “Como homem perfeito entrou na historia do mundo, assumindo em si mesmo e em si recapitulando todas as coisas” (GS 38). “Todo aquele que segue Cristo, o homem perfeito, torna-se ele também mais homem” (GS 41).

    13 -O VERBO DE DEUS “se encarnou, de tal modo que, como homem perfeito, salvasse todos os homens e recapitulasse todas as coisas. O Senhor é o fim da história humana, ponto ao qual convergem as aspirações da história e da civilização, centro da humanidade, alegria de todos os corações e plenitude de todos os seus desejos” (GS 45).

14 - Tal e tamanho é o mistério do homem que pela Revelação cristã brilha para os fiéis. Por CRISTO e em CRISTO, portanto, ilumina-se o enigma da dor e da morte, que fora do Seu Evangelho nos esmaga. CRISTO RESSUSCITOU, com sua morte destruiu a morte e concedeu-nos a vida, para que FILHOS NO FILHO, clamemos no Espírito: ABBA, PAI! (GS 22).

                 † Gabriel Bueno Couto, O. C. -Bispo de Jundiaí

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Cristo Vive e Vive em Nós!

Hoje completamos 1º ano do Memorial Dom Gabriel, rezemos ao Servo de Deus pela sua intercessão por todos os que sofrem e pela paz no Mundo.
Cristo Vive e Vive em Nós!


terça-feira, 9 de julho de 2013

AVE MARIA!


Quando rezamos a AVE MARIA, dirigimo-nos a Nossa Senhora, declarando já desde o inicio, como costumamos fazer de algum modo em nossos encontros pessoais de amizade, que a conhecemos e que gostamos de conversar com ELA: “Alegrai-vos, cheia de graça, o Senhor é convosco bendita sois vós entre as mulheres, bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus”. Não lhe pedimos nada, simplesmente lhe dizemos que sabemos quem ela é e que somos felizes em o saber: Filha de Deus perfeita, Imaculada e Santa desde o princípio de sua existência, Virgem forte do poder de Deus, que se fez sua Mãe, “sacramento” do seu infinito amor, que nos atrai a Ele e nos salva, fazendo-nos seus filhos. “Salve” exclamamos então, “alegrai-vos, ó Maria!” Não pedimos nada. Esquecemos nossos sofrimentos, privações, silenciamos nossas angústias, até nossos pecados deixam de nos afligir e no silêncio que se faz no nosso espírito ouvimos Maria, a Mulher bendita, responde à nossa saudação e canta: “A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito exulta em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humilhação de sua serva. Sim! Doravante as gerações todas me chamarão de bem-aventurada, pois o Todo-Poderoso fez grandes coisas por mim. O seu nome é Santo, e sua misericórdia perdura de geração em geração, para aqueles que o temem” (Lc 1, 46-50). É, então, que lhe abrimos o nosso coração, felizes por termos contemplado e ouvido nossa Mãe no enlevo de sua divina maternidade, possuída por Deus de uma maneira única e maravilhosa, por toda a eternidade!
Surgirão, então, espontâneas, do nosso coração e aflorarão aos nossos lábios, súplicas filiais, muitas, tantas quantas forem nossas necessidades: por mais numerosas que sejam, acolhem-nas o Coração da mãe de Deus, revelação perfeita do coração daquele que é o DEUS-AMOR, que se fez fruto bendito de seu seio imaculado, JESUS: “Rogai por nós pecadores, AGORA E NA HORA DE NOSSA MORTE! AMÉM!”


                                                                                                † Gabriel Bueno Couto, O. C. -Bispo de Jundiaí

domingo, 30 de junho de 2013

Jovem




Mensagem de Nosso Pastor (Dom Gabriel Paulino Bueno Couto – Servo de Deus) - 1981

JOVEM
Não deixes morrer de fome e de sede o jovem que encontras em teu caminho!
Ele tem fome e sede de DEUS!
Dê-lhe Jesus e ele encontrará DEUS.
Então TU e ELE sereis felizes, realizados.


domingo, 16 de junho de 2013

SEMANA DA UNIDADE – ABRIL E MAIO/1977



Oração do 1º dia: Lc 10,1-9 e Rm 5,1-11
Nós vos suplicamos, Senhor, nosso Deus, lembrai-vos de vossa Igreja, que se estende de uma extremidade à outra do mundo. Concede a paz e a unidade a esta Igreja que conquistastes com o sangue preciosos de vosso Filho. Firma esta santa morada até a consumação dos séculos. Pelo mesmo Cristo  Nosso Senhor. Amém.


Oração do 2º dia: Jo 12,23-32 e Col 1, 25-29
Ó Pai misericordiosíssimo, confessamos a mediocridade de nossos esforços para promovermos vosso Reino e aumentar vossa glória. Perdoai nossas faltas e dai-nos um zelo maior por vossa glória.
O amor de Cristo se apodere de nós, e o poder do Espírito Santo nos renove e nos una numa só Igreja, para que sirvamos mais dignamente no futuro. Pelo menos Cristo Nosso Senhor. Amém.


Oração do 3º dia: Jo 14,1-14 e Ef 4,1-6
Senhor Jesus, que, na véspera de morrer por nós, rezastes para que todos os vossos discípulos sejam perfeitamente um, como Vós em Vosso Pai, e vosso Pai em Vós, fazei-nos sentir dolorosamente a infidelidade de nossa desunião, e conduzi-nos à Unidade pela força do Espírito Santo. Vós que viveis com o Pai na unidade do Espírito Santo. Amém.


Oração do 4º dia: Mt 26, 47-56 e At 2, 32-39
Ó Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, nosso único Salvador, o Príncipe da paz, daí-nos a graça de tomar a peito, seriamente, os grandes perigos que corremos por causa de nossas infelizes divisões. Fazei desaparecer qualquer hostilidade e preconceito, e tudo o que ainda poderia opor-se à Unidade e à Concórdia entre as Igrejas cristãs.
Haja um só Corpo, um só Espírito, uma só Fé, um só Batismo, uma só Eucaristia, um só Deus e Pai de todos. Por Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Amém.


Oração do 5º dia: Mc 4, 26-32 e II Cor 5, 18 -6,2
Deus eterno, nós Vos damos graças por terdes fundado em Jesus Cristo a vossa Igreja santa e universal, e por quererdes nela congregar todos os homens, de todos os séculos, de todas as raças, de qualquer povo e de qualquer nação. Concedei a esta Igreja a graça de viver na unidade da fé, do amor e da esperança, a fim de que todos os cristãos dispersos e todos os homens sejam congregados num só povo, sob a guarda de só pastor, vosso Filho, Jesus Cristo. Ele que convosco vive na unidade do Espírito Santo. Amém.


Oração do 6º dia: Mc 1, 29-39 e II Cor 4, 7-18
Deus todo-poderoso e eterno que, por vosso santo Apóstolo, nos ensinastes a fazer orações, súplicas e ações de graças por todos os homens, nós Vos rogamos humildemente que recebais em vossa grande misericórdia estas preces que oferecemos à Vossa Divina Majestade, suplicando-Vos que animeis continuamente a Igreja Universal, com o espírito de verdade, unidade e concórdia. Fazei que todos os cristãos, que confessam o vosso santo Nome, concordem na verdade de vossa santa Palavra e vivam na unidade e na caridade segundo Deus. Por Jesus Cristo, vosso Filho e Nosso Senhor, na unidade do Espírito Santo. Amém.

† Gabriel Bueno Couto, O. C. -Bispo de Jundiaí

domingo, 9 de junho de 2013

Espírito Santo


A nós o Pai se revelou em Cristo. Ele nos revelou Cristo pelo Espírito Santo, conforme nos ensina a mensagem do Filho.
E Cristo com o Pai nos enviaram o Espírito Santo, para que possamos compreender esta realidade, para que eu sinta mais filho.
Para que assim em ame como filho ao Pai, em Cristo pelo Espírito Santo. Sem o Espírito Santo não poderíamos e compreender nem o Pai, nem o Filho. Para nós ele é indispensável, pois não teríamos esta capacidade por nós mesmos. Ninguém pode dizer: “Senhor Jesus” senão no Espírito Santo, Espírito do Filho. O Espírito Santo é o testemunho do amor do Pai ao Filho, e do Filho ao Pai. O Pai e o Filho se reconhecem na terceira pessoa que é o amor que os une.
Gabriel Bueno Couto, O. C.
Bispo de Jundiaí



quinta-feira, 30 de maio de 2013

Corpus Christi



Ao conservar nos nossos sacrários a HÓSTIA do sacrifício litúrgico, a Igreja o faz não só para a comunhão de seus filhos, mas também para “perpetuar”, de algum modo, o momento da oblação sacrifical litúrgica e proporcionar assim a seus filhos peregrinos na terra “um pouco” da eternidade da CONTEMPLAÇÃO que, no Céu, inebria seus filhos, do FILHO DE DEUS, Cordeiro de Deus, morto e ressuscitado, vivo na glória de Deus. Quando, então, a expõe, visível, sobre o altar, para a sua adoração mais prolongada, quer vê-los unidos ao redor de Cristo Jesus, Hóstia Pura, Hóstia Santa, Hóstia Imaculada da oblação sacrifical litúrgica celeste e terrestre, a contemplá-la à luz da FÉ, assim como no Céu a contemplam seus irmãos à luz da GLÓRIA, exultantes todos de inefável alegria!
Jundiaí, 12 de Junho de 1977.

D. Gabriel Bueno Couto - Bispo Diocesano.