domingo, 25 de maio de 2014

MAIO - MES DE MARIA

AVE MARIA                                              


Quando rezamos a AVE MARIA, dirigimo-nos a Nossa Senhora, declarando já desde o início, como costumamos fazer de algum modo em nossos encontros pessoais de amizade, que a conhecemos e que gostamos de conversar com ELA: “Alegrai-vos, cheia de graça, o Senhor é convosco bendita sois vós entre as mulheres, bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus”. Não lhe pedimos nada, simplesmente lhe dizemos que sabemos quem ela é e que somos felizes em o saber: filha de Deus perfeita, Imaculada e Santa desde o princípio de sua existência, Virgem  forte do poder de Deus, que se fez sua Mãe, “sacramento” do seu infinito amor, que nos atrai a ele e nos salva, fazendo-nos seus  filhos.”Salve”, exclamamos então, “alegrai-vos,“0 Maria!” Não pedimos nada. Esquecemos nossos sofrimentos, privações, silenciamos nossas angústias, até nossos pecados deixam de nos afligir  e nos silêncio que se faz no nosso espírito ouvimos Maria, a Mulher bendito, responde à nossa saudação a cantar: “A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito exulta em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humilhação de vossa serva. Sim! Doravante as gerações todas me chamarão de bem-aventurada, pois o Todo-poderoso  fez grandes coisas por mim. O seu nome é santo, e sua misericórdia perdura de geração em geração, para aqueles que o temem”. (Lc 1,46-50). É, então, que lhe abrimos o nosso coração, felizes por termos contemplado e ouvido nossa Mãe no enlevo de sua divina maternidade, possuída por Deus de uma maneira única e maravilhosa, por toda a eternidade! Surgirão, então espontâneas, do nosso coração e aflorarão aos nossos lábios, súplicas filiais, muitas, tantas quantas forem nossas necessidades: por mais numerosas que sejam, acolhem-nas o Coração da Mãe de Deus, revelação perfeita do Coração daquele que é o Deus-Amor, que se fez fruto bendito de seu seio imaculado, Jesus: “Rogai por nós pecadores, AGORA e na HORA DE NOSSA MORTE! AMEM!

† Gabriel Bueno Couto, O. C. -Bispo de Jundiaí

sábado, 19 de abril de 2014

Sábado Santo - Abril/1979


Maria sabia que Cristo iria ressuscitar e mesmo assim sofreu a dor de ver Jesus Cristo na cruz – sofreu as dores da morte.
Como Maria deveria ter se sentido nesse dia? Na volta para casa fez a via sacra ao reverso. Sua dor vai se redobrando.
Passar o dia em união com Maria, fazer companhia a Nossa Senhora. A dor de Maria era a dor do Amor. Isso nos prepara para a ressurreição.
Ressurreição é a nossa vida, síntese da vida de Jesus – troca da vida por outra onde vive plenamente a realidade de Filho de Deus.
Cristo veio refazer o homem – Cristo nasceu de Maria, sustentou o nada do homem (sofrer era o nada do homem) e este não era o plano de Deus. Cristo assume isto.
A morte na cruz é a declaração de que o homem morreu e como é filho de Deus não fica na morte, mas passa por ela e ressuscita.

Só vivemos porque Cristo ressuscitou e porque estamos unidos a Ele.

† Gabriel Bueno Couto, O. C. -Bispo de Jundiaí

quarta-feira, 12 de março de 2014

O HOMEM E SUA TRANSCEDÊNCIA



  1. “Na realidade o mistério do homem só se torna claro verdadeiramente no mistério do VERBO ENCARNADO. Com efeito, Adão, o primeiro homem, era figura daquele que haveria de vir, isto é, de Cristo Senhor. Cristo, o novo Adão, na mesma revelação do mistério do Pai e de seu amor, manifesta plenamente o homem ao próprio homem, tornando-lhe patente a sua vocação altíssima. Não é portanto de se admirar que em Cristo estas preditas verdades atinjam sua fonte e seu ápice” (Vat. II-GS 22).
  2. Para quem crê realmente e aceita, em virtude de sua fé, a palavra do magistério supremo da Igreja, pronunciada pelo seu órgão supremo, como é um Concílio Ecumênico e no caso, o Vaticano II, não há que escolher: a verdadeira ANTROPOLOGIA, isto é, a ciência do HOMEM, a Igreja a possui e de modo insofismável e em termos definitivos: expôs na sequência de sua doutrinação conciliar e, em admirável síntese da Constituição pastoral “a Igreja no mundo de hoje” (doc. “Gaudium et Spes” – GS).
  3. Desconhecer, “esvaziar”, reduzir mutilando, a ontologia do homem, como a Igreja no-la apresenta pelo Vaticano II e por outros atos do seu magistério, como as encíclicas dos Papas dos nossos dias, João XXIII, Paulo VI, João Paulo II, para, sobre os “escombros” que restam, construir o homem, a família e a sociedade humana, é expor-se ao completo fracasso...
  4. Um dos piores crimes contra o homem, hoje em plena e livre execução, que causa a mais trágica “deformação” de sua autêntica realidade. De sua genuína “ontologia”, é o de “o desnudar de sua real e autêntica TRANSCENDÊNCIA”,  pensado o homem no simples contexto dos demais seres que, com ele, existem sobre a terra. Sua transcendência, então, vai se revelando e se afirmando a medida que ele, pela interação de todos os seus valores, em todas as suas dimensões, libertar-se a si mesmo, superando todas as escravidões, dentro da órbita em que está situado, no gozo pleno da liberdade, própria de seu ser humano.
  5. Não é essa, porém, sua real e autêntica transcendência. É outra: é participação da transcendência própria de Deus, decorrente do novo relacionamento com Deus, no insondável mistério do infinito amor de Deus pelo homem (cf. Vat. II-GS19).   Deus, ao criar o homem, centro e ponto culminante de todas as coisas existentes na terra (cf. Vat.II –GS 12), não quis relacionar-se com ele mantendo-o na mesma condição de simples criatura, como as demais, que criou na terra. Além de dotar de dons, qualidades e energias, que o fizeram “naturalmente” superior em perfeição e criatividade a todas as outras criaturas da terra, DEUS, em seu misterioso e libérrimo plano de amor, fez mais: uniu o homem a si, constituindo-o seu FILHO e nessa misteriosa adoção de filho, deu-lhe participar de sua vida divina e de sua própria felicidade (cf. Vat.II-GS 21; João Paulo II-RH nº1).
  6. Assim é o Homem; está é a sua “ontologia” genuína e verdadeira, segundo os planos do único DEUS, VIVO e VERDADEIRO! Por ser não só “chamado” mas ser “de fato” FILHO DE DEUS, é que o homem”supera a si mesmo”, “transcede os limites” de uma simples criatura, “reveste-se” da TRANSCEDÊNCIA DE DEUS! É esta sua condição de FILHO DE DEUS que faz dele e de sua história um MISTÉRIO, que lhe será plenamente desvendado, ao completar na morte os dias de sua existência sobre a terra... para a sua eterna felicidade ou desgraça!
  7. É neste contexto TRANSCEDE do cosmos e do homem, que deve ser lida a HISTÓRIA DO FILHO DO HOMEM-FILHO DE DEUS, JESUS CRISTO.   João Paulo II ensina: “O Redentor do homem, Jesus Cristo, é o centro do cosmos e da história”(Enc. RH 1). É ELE MESMO, JESUS CRISTO, que “grava sua própria HISTÓRIA – a HISTÓRIA do único HOMEM-FILHO DE DEUS – com todo o seu conteúdo, em toda a sua transcendência, no seu Evangelho, que é a BOA NOVA, que Ele anunciou e continua anunciando a todos os homens e a cada homem, de todos os tempos, de todas as raças até os últimos confins da terra, para que, ao seu anúncio, o homem aceite Cristo, a BOA NOVA, e nele descubra e “experimente” sua condição original de filho de Deus em sua inconfundível TRANSCEBDÊNCIA.
  8. Negar, desconhecer, limitar ou falsificar essa Transcendência do Homem-Filho de Deus, tendo-a simplesmente como “sublimação” própria do ser humano, em virtude do “extraordinário” brilho de sua inteligência, do “irresistível” poder de sua vontade criadora..., é reduzir o homem a uma triste “figura” incapaz de levar a feliz termo todo um processo em que conjuga suas melhores forças, físicas e morais, dentro de um, aliás, magnífico plano de conservação, defesa e promoção dos seus humanos direitos...
  9. Situe-se, porém, o homem com todos os seus valores, em todas as suas dimensões “naturais” no seu verdadeiro contexto transcendente de FILHO DE DEUS. Releia o EVANGELHO DA BOA NOVA, que é JESUS o FILHO DE DEUS; que se encarna no seio da Virgem Maria e se faz HOMEM; que padece e morre na Cruz; que ressuscita ao terceiro dia; tudo isto para revelar ao homem sua autêntica identidade, sua genuína condição de filho de Deus, “envolto” na transcendência própria de Deus. Ouça o homem a BOA NOCA, como lhe é anunciada pela Igreja: acolha-a integralmente, e JESUS CRISTO, unindo-o a si lhe comunicará a experiência de seu MISTÉRIO PASCAL, a saber, da força redentora de sua morte, e ressurreição, causa única, exclusiva e total da libertação integral de todos os homens e de cada homem que por Ele, com Ele e nEle “descobriu” sua condição de Filho de Deus, envolto no mistério da TRANSCENDÊNCIA DIVINA, que o torno invencível em todas as lutas que não podem faltar a quem, no peregrinar terreno, vive, em Cristo, de Deus e como filho no FILHO, clama no Espírito: “ABBA, PAI” (cf Vat.II- GS 22).
  10. Essa é a BOA NOVA que se “realiza’ em cada um no mistério de sua ALMA, viva e imortal. È na profundeza de sua Alma que o homem acolhe a BOA NOVA, é ungido PELO Espírito de Cristo, é assumido à transcendência de Deus, como seu FILHO, em CRISTO; é na sua ALMA VIVA e IMORTAL que se encerram as inefáveis riquezas de CRISTO, que o fazem viver a BOA NOVA, a VIDA NOVA, de HOMEM NOVO, nascido de Deus (cf. Ef 1,15-19; 2,1-10)!
  11. Esta foi e será sempre a MISSÃO DA IGREJA DE CRISTO: anunciar esta BOA NOVA; levar o homem a RECUPERAR  SUA VERDADEIRA IDENTIDADE, de FILHO DE DEUS; pôr em devido relevo a inconfundível TRANSCENDÊNCIA que o envolve, própria do HOMEM NOVO, como marca divina que deve caracterizar todos e cada um de seus valores humanos, em toda a dimensão de seu ser: individual, familiar e social, todas as expressões de sua vida em seu dinamismo físico, psíquico, intelectual e moral, todas as suas atitudes em toda e qualquer conjuntura em que vier a se encontrar... O corpo (matéria) não lhe é de obstáculo na  sua realização de HOMEM NOVO, FILHO DE DEUS.  A mesma TRANSCENDÊNCIA DIVINA o envolve, pois é elemento essencial, disposto pelo próprio Deus, do ser humano, não tem vida própria; recebe-a, para todos os efeitos, da Alma. O Homem, então, na sua condição nova de Filho de Deus em CRISTO, servi-se-á de seu corpo com instrumento também de sua NOVA VIDA, que lhe sem da ALMA, na qual e pela qual, ungida pelo ESPÍRITO DE CRISTO, O HOMEM NOVO, com todos os seus valores e em todas as suas dimensões, vive como Filho de Deus.
  12. Esta é a MISSÃO DA IGREJA DE CRISTO, TODA E EXCLUSIVA DELA. Para isso ELA, a IGREJA DE CRISTO, SUBSISTE NA IGREJA CATÓLICA APOSTOLICA TOMANA (cf. Vat.II-LG 8). Este é o SENTIDO TOTAL DE SUA EVANGELIZAÇÃO. Eis o programa da IGREJA QUE REALMENTE EVANGELIZA, que o PAPA JOÃO PAULO II DEFINE,  PARA SER SEGUIDO, por quantos, a quem cumpre EVANGELIZAR,  no seu sentido pleno: “É precisamente aqui neste ponto, caríssimos Irmãos, Filhos e Filhas”, escreve o Papa em sua Enc. “Redemptor hominis”(nº 7), “que se impõe uma resposta fundamental e essencial, a saber: a única orientação do espírito, a única direção da inteligência, da vontade e do coração para nós é esta: na direção de Cristo, Redentor do homem; na direção de Cristo, Redentor do mundo. Para Ele queremos olhar, porque só nele, Filho de Deus, está a salvação, renovando a afirmação de Pedro: “ Para quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna”. Através da consciência da Igreja, tão desenvolvida pelo Concílio, através de todos os graus desta consciência, através de todos os campos de atividade onde a Igreja se afirma presente, se encontra e consolida, devemos tender constantemente para Aquele, “que é a Cabeça”, para “Aquele de quem tudo provem e nós somos criados para Ele”, para Aquele  que é, ao mesmo tempo, “o caminho e a verdade” e “a ressurreição e a vida”, para Aquele ao ver o Qual vemos o Pai. (RH nº7). “A Igreja permanece na esfera do mistério da Redenção, que se tornou precisamente o princípio fundamental da sua vida e da sua missão”(RH nº 7).

† Gabriel Bueno Couto, O. C. -Bispo de Jundiaí

terça-feira, 11 de março de 2014

11 de março



Hoje, 11 de março de 2014, 32 anos de falecimento do
Servo de Deus Dom Gabriel Paulino Bueno Couto. 

Maria, Mãe do Filho de Deus, feito Homem, 
fazei-nos homens-fïlhos de Deus!    (D.Gabriel)

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

A ALEGRIA DO NATAL


“Aconteceu, um dia, que nasceu em Belém, na Palestina, uma criança num lugar onde não costumam nascerem crianças,  numa gruta,  situada num grande pasto, e sua mãe a colocou num berço que não costuma ser berço de criança recém-nascida, num cocho ou manjedoura.” Esse acontecimento que se deu há quase dois mil anos, é lembrado em todo o mundo e de algum modo por todos os homens do mundo.
Como se situa essa criança na história do mundo? Na história dos homens? É claro que a resposta só pode ser entendida por quem tem fé, pouca ou muita, não importa; se, porém, quiser colocar esse acontecimento na linha das “coisas que acontecem”, dos desencadeamentos naturais de forças “socioeconômicas”, como “algo” que não se destaca dos demais “algos” que soem acontecer, só diferente pelas circunstâncias de que se revestiu, então a criança da manjedoura de Belém, será uma das muitas crianças que vão nascendo por esse mundo a  fora, no meio do mato, à beira das estradas, na miséria da favela imunda...
Mas não! “O Verbo de Deus, pelo qual todas as coisas foram feitas, Ele próprio se encarnou, de tal modo que, como homem perfeito, salvasse todos os homens e recapitulasse todas as coisas. O Senhor é o fim da história humana, ponto ao qual convergem as aspirações da história e da civilização, centro da humanidade, alegria de todos os corações e plenitude de todos os desejos” (GS 45).

O dia do Natal de Jesus entrou no calendário no mundo como DIA DA ALEGRIA!
Ninguém mais do que a Igreja quer que reine a alegria no coração de cada homem, de cada família, da sociedade humana.

† Gabriel Bueno Couto, O. C. -Bispo de Jundiaí


Que a Sagrada Família cubra você, e toda a sua família com as maiores graças neste Natal de 2013.

domingo, 20 de outubro de 2013

SOU FILHO DE DEUS






1 - Nascemos todos para ser filhos de Deus. Esta “altíssima”, “sublime”, “divina” vocação (cf. GS 3.13), pela qual “Deus chamou o homem para que ele, com sua natureza inteira, una-se a Deus na comunhão perpetua da incorruptível vida divina” (GS 18) “como filho”, participando da sua própria felicidade (cd GS 21), é algo que “marca” a natureza do homem. Com efeito, Deus Criador, ao tomar o barro da terra, não quis “modelar” uma simples criatura, mas um filho, feito à sua imagem e semelhança. Quis e realizou e a esta criatura-filho, formada do barro da terra, Deus deu o nome de Adão, isto é, homem (cf. Gen 1,26; 2,7; 5,1-2). Como ele seriam todos os seus descendentes (cf. Gen 1,27 ss; Sl 8; Ecl 17, 1-11). Segundo os planos de Deus, de seu infinito amor, todos os descendentes de Adão seriam constituídos filhos de Deus em virtude da natureza recebida dele, elevada, como é óbvio, a instrumento de tamanha capacidade não por uma qualidade natural, mas por uma disposição de essencial transcendência do amor de Deus.

2 - Segundo este contexto original da Criação, esclarecido pela luz da fé, o ser homem identifica-se com o ser filho de Deus. Esta é a real definição do homem, pois corresponde a quanto Deus “pensou” ao modelá-lo segundo o seu protótipo, o Filho Unigênito, o Verbo de Deus, na sua encarnação no seio da Virgem Maria, mistério que haveria de se realizar no fim dos tempos: JESUS CRISTO. “Adão, o primeiro homem, era figura daquele que haveria de vir, isto é, do Cristo Senhor”, assim ensina a Igreja (GS 22).

3 - O homem, porem, perdeu esta sua identidade, não aceitando esta sua “definição”; quis ser mais do que filho de Deus: por este pecado, cometido já no inicio de sua história, ele “destruiu a devida ordem em relação” a Deus como seu princípio e fim e “ao mesmo tempo, toda a harmonia consigo mesmo, com os outros homens e as coisas criadas” (GS 13; cf. Gn 3,1-19)

4 - Transtornou-se completamente. “Está dividido em si mesmo”. Agora “toda a vida humana individual e coletiva, apresenta-se como uma luta dramática entre o bem e o mal, entre luz e as trevas”. “Bem mais ainda, o homem se encontra incapaz, por si mesmo, de debelar eficazmente os ataques do mal; e assim cada um se sente como que carregado de cadeias” (GS13)


5 - Define-se de mil modos, e com isso só vai acrescentando fracassos sobre fracassos, frustrando seus mais legítimos anseios de imortalidade de paz, de verdade e de amor. Não aceita sua verdadeira definição. Não a reconhece por legitima mas a tem conta de alucinante ou alienante, quando a fé, pela Igreja, lha propõe como insubstituível, “fonte” única e fecunda de toda a felicidade. Sem dúvida alguma, seus incessantes e ingentes esforços pela sua sobrevivência e desenvolvimento levam-no à visão clara de seus inalienáveis direitos e correspondentes deveres, mas não lhe bastam. Esclarecem-lhe a inteligência mas não lhe movem a vontade! (cf. GS 10).

6 - Se o pecado de Adão, atingindo a natureza humana, fez com que todos os homens nasçam em “estado de pecado” (cf. GS 13), a saber, destituídos da “realidade” de filhos de Deus, não, porém, os despojou da “vocação” para filhos de Deus. Deus, no seu infinito amor, continuou fiel a si mesmo: “Já desde sua origem o homem é convidado para o dialogo com Deus. Pois o homem, se existe, é somente porque Deus o criou e isto por amor. Por amor é sempre conservado. E não vive plenamente segundo a verdade, a não ser que se reconheça livremente aquele amor e se entregue no seu Criador” (GS 19).

7 - Apesar de nascermos todos em “estado de pecado”, a nossa natureza está marcada pela vocação transcendente para filho de Deus, pois foi nesta “realidade” que Deus “pensou” e criou o homem: nos eternos desígnios de Deus a “realidade” do homem é a de filho de Deus: é por esta transcendente relação de filho de Deus que o homem deve definir-se: esta é a sua única e verdadeira identidade: Nascemos “fora” dessa realidade, mas estamos “marcados” indelevelmente pela vocação para ela. Ela assinala o valor dos valores humanos, dá ao homem a medida exata de todas as suas dimensões: “A razão principal da dignidade humana consiste na vocação do homem para a comunhão com Deus” (GS 19) “como filho” (GS 21).

8 -A felicidade do homem está em responder a essa “altíssima” vocação, realizando-se como filho de Deus, o que equivale a tornar-se homem, como Deus o fez. Sua desgraça, em rejeitá-la! 

         9 -Debalde tentará construir sua felicidade sobre outras bases, firmando-se em outras definições de si mesmo. Enganam-no os que lhe sugerem outro contexto da realidade humana, para a sua libertação, defesa de seus direitos, promoção de sua cultura, da ordem social, política, até mesmo religiosa, excluindo ou ignorando sua definição de filho de Deus.
    
    10- Por estrita consequência de fé, solidamente firmada na Palavra de Deus, como no-la transmite a Igreja no seu mais recente ato do seu magistério infalível, o Concílio Ecumênico do Vaticano II (cf GS nn 1-45), é em CRISTO  e só NELE que o homem de hoje, como o de todos os tempos, encontrará resposta plena a todos os seus problemas humanos, a todos os seus mais legítimos anseios.

    11 - Ele é o Filho Unigênito de Deus, feito homem no seio da Virgem Maria, o ÚNICO que pode “refazer” o homem, restituir-lhe a identidade perdida, fazendo-o “nascer de novo”, tornando-o filho de Deus (cf. Jo 1,12; 3,1-21). 

      12 - CRISTO, ensina o Concílio, “manifesta plenamente o homem ao próprio homem e lhe descobre a sua altíssima vocação” (GS 22). “Imagem de Deus invisível, Ele é o homem perfeito, que restituiu aos filhos de Adão a semelhança divina deformada desde o primeiro pecado”(GS 22).  Veio para libertar e confortar o homem, renovando-o interiormente. Expulsou o ‘príncipe deste mundo’ (Jo 12,31), retinha o homem na escravidão do pecado” (GS 13). “Deus chamou e chama o homem para que ele, com sua natureza inteira, una-se a Deus na comunhão perpétua da incorruptível vida divina. CRISTO conseguiu esta vitória por sua morte, libertando o homem da morte e ressuscitando para a vida”(GS 18). “Como homem perfeito entrou na historia do mundo, assumindo em si mesmo e em si recapitulando todas as coisas” (GS 38). “Todo aquele que segue Cristo, o homem perfeito, torna-se ele também mais homem” (GS 41).

    13 -O VERBO DE DEUS “se encarnou, de tal modo que, como homem perfeito, salvasse todos os homens e recapitulasse todas as coisas. O Senhor é o fim da história humana, ponto ao qual convergem as aspirações da história e da civilização, centro da humanidade, alegria de todos os corações e plenitude de todos os seus desejos” (GS 45).

14 - Tal e tamanho é o mistério do homem que pela Revelação cristã brilha para os fiéis. Por CRISTO e em CRISTO, portanto, ilumina-se o enigma da dor e da morte, que fora do Seu Evangelho nos esmaga. CRISTO RESSUSCITOU, com sua morte destruiu a morte e concedeu-nos a vida, para que FILHOS NO FILHO, clamemos no Espírito: ABBA, PAI! (GS 22).

                 † Gabriel Bueno Couto, O. C. -Bispo de Jundiaí

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Cristo Vive e Vive em Nós!

Hoje completamos 1º ano do Memorial Dom Gabriel, rezemos ao Servo de Deus pela sua intercessão por todos os que sofrem e pela paz no Mundo.
Cristo Vive e Vive em Nós!